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Crônicas de um tempo

Floriano Santos Fonseca,
historiador, músico, bancário e cineasta lagartense
NATAL NA CASA DOS MONTALVÃO
16.12.2008
Os últimos anos, em Lagarto, foram realmente incríveis. Festas, aventuras, descobertas etc., etc., etc. Parecia que aquele seria o último fim de ano de nossas vidas. Da velha Gang of Down somente eu e Marcos Monteiro mantínhamos contato constante. Novos amigos estavam incorporados ao dia-a-dia: Fernandinho Montalvão, os irmãos Adonias e Jorge, dentre outros. O natal foi algo novo para nós. Até aquele ano, passar a noite de natal era ficar na Praça Filomeno Hora fazendo mangação dos tabaréus e estourando as bolas de assoprar da gurizada, além, é claro, de tentar arrumar uma nova namorada. Depois, passar em casa, comer o arroz de galinha e ir ao baile na AAL.
A ceia na casa dos Montalvão nos despertou para uma nova realidade de convivência social. Muita comida, peru e champanhe à vontade. Seu Fernando, como sempre, com seu sorriso tímido, e Dona Anselma, com seu carinho de mãe, abraçando a todos. No dia seguinte, ficou aquela vontade de quero mais, então resolvemos aprontar algo diferente. O ano novo se aproximava e 'bolamos' o nosso réveillon. Organizamos uma grande festa e, novamente, na residência dos Montalvão. Além de Geraldo e Roberto William, uns primos meus que moravam em Belo Horizonte estavam passando férias lá em casa e se incorporaram ao evento. Foi uma farra daquelas. A rua em frente à casa de Adonias estava repleta de pessoas que iam e vinham a procura dos eventos festivos da cidade. De repente, saímos todos fantasiados, cantando e chamando atenção dos passantes, espantados por não compreenderem o que ocorria. Penso que foi o último grande momento antes de nos separarmos em busca de novos caminhos.
VELHOS CARNAVAIS
26.11.2008
Nada de micaretas e axé music, quem comandava o carnaval era o frevo pernambucano. Os dias que antecediam o carnaval era tempo de prender uma lata e um cordão de caroá untado em breu ao cubo da bicicleta e sair fazendo zoada pela cidade. Muitas vezes dezenas de garotos se reuniam e saiam pelas ruas. Máscaras, lanças d'água, tinta e pó completavam a festa. Para os menores abastados, no domingo e terça-feira à tarde havia o baile infantil. Durante o dia, os bares ficavam cheios, fobicas e charangas desfilando pelas ruas. As mocinhas correndo de cá para lá, fazendo de conta que não queriam se sujar, mas na verdade buscavam que algum galanteador lambe-sujo chegasse perto e um novo casal estaria arrumado para o baile de logo à noite. Ao som dos clarins a banda de frevo anunciava o início do baile. A Atlética era pequena, mas dava para a reduzida sociedade lagartense. Seu Bazinho Almeida e Seu Santinho Machado prendiam uma pequena toalha ao pescoço e, no passo de ganso, passavam toda à noite a circular o salão. Quando a manhã da quarta-feira de cinzas teimava em chegar, era a hora da despedida, e todos saiam pelas ruas cantando o "tá chegando a hora". Houve um ano em que todos os rapazes usaram macacões de frentistas de postos de gasolina, que mais parecia um baile operário. Aos poucos, a influência da música baiana foi chegando e anunciando o nascimento do trio elétrico.
A PREGUIÇA DA BICA
13.11.2008
Era um privilegio para os lagartenses ter dentro da cidade uma área de mata preservada. A Bica era um espaço verde e pantanoso. Grandes árvores cobriam a parte onde havia os tanques formando um lugar agradável. Logo na entrada existia um pé de ingá com sua enorme copa produzindo suas vargens adocicadas. Todo proprietário de carro tirava algum dia para lavá-lo na bica. Era uma verdadeira terapia, pássaros cantando, bastante água potável brotando das raízes das palmeiras. A piscina velha era o lado sombrio da Bica como também a lavanderia pública onde as mulheres cantavam lavando roupas. Na parte alta ficavam as figuras do índio e da sereia que povoavam a imaginação da garotada. Vez em quando a preguiça aparecia sobre as árvores e era motivo de visita. A população pedia aos políticos para tornarem aquele lugar mais humanizado e seu pedido foi atendido muitos anos depois com sua destruição e a criação do parque fechado e sem o menor cuidado com a preservação do ecossistema existente. E finalmente a megalomania política transformando a Bica no paraíso dos irmãozinhos pobres. Hoje, a Bica é um caso de polícia. Muito dinheiro gasto e o abandono. Quem sabe a natureza não volte a ocupar seu espaço, caso o homem seja mais inteligente e a deixe sobreviver?
P.S.: Antigamente, um garoto descansado e que não atendia aos adultos, era chamado de "preguiça da Bica".
O CINEMA ACABOU
02.11.2008
Entre os anos trinta e setenta Lagarto possuiu cinema, e hoje, como em quase todas as pequenas cidades do interior, esse importante tipo de diversão foi extinto. Zé Dantas Colecionava cartazes de filmes e, sempre que podia, acrescentava mais um - não sei qual a forma. Havia sempre um cavalete do cine Glória na esquina das Ruas Laudelino Freire e Lupicínio Barros anunciando a atração do dia. Os cowboys com Franco Nero, Giuliano Gema e Clint Eastwood eram os preferidos, mas também filmes de Maciste e gladiadores faziam a festa. No final dos anos setenta surgiram os de artes marciais e nas noites de segunda-feira, as portas do cinema se abriam e, logo após a sessão, saia a molecada a imitar os golpes a gritos. E foi assim que os filmes passaram a ser chamados "filmes de iá". Surgiu também um herói que se vestia de branco e era denominado Santo que lutava contra zumbis e múmias. Faltar a um filme de Roberto Carlos e, naturalmente, à Paixão e Morte de Nosso Senhor Jesus Cristo, seria quase pecado. Depois vieram os trapalhões com suas comédias-pastelão. Claro que os filmes de Drácula eram ótimos para namorar. Quem não chorou ao ver Teixeirinha cantar o coração de luto? Dio come ti amo que fazia os casais de namorados se beijarem transformando o escurinho do cinema numa sessão de beijoqueiros? Hoje no local do Cine Glória ou Cinema de Edinho está erigido o prédio do Bradesco, mas também existiu o Cine Pérola que pertenceu a Julio Modesto. Uma construção bonita, com espelhos na entrada, uma bela escada circular que dava para a geral, todo decorado com pinturas egípcias e, o mais bonito, era quando o filme estava para começar: as cortinas se abrindo, as luzes se apagando, e o som do "tuuuum", que se misturava ao Tema de Lara. Foi numa matinê que beijei a primeira namorada. Na parte da geral havia algumas cadeiras que ficavam bem acima das outras e que eram exclusivas de seu Detinho da Radiofon. Hoje o prédio abriga a Caixa Econômica Federal.
A BANDA DO SALETE
02.11.2008
Quando estava iniciando a sétima série no Laudelino Freire, tive um sério problema com o professor de OSPB, Sargento Farias, que injustamente achou que eu tinha agredido uma garota. Procurei os meus pais, que, conhecendo o meu comportamento, ficaram do meu lado quando afirmei que não estudaria mais naquele colégio. Padre Mário, apesar de não concordar comigo, pediu-me para que não saísse. Mesmo assim, preferi ir estudar em Aracaju. Quando Dona Anselma Montalvão soube o que se passara comigo, solicitou à minha mãe que eu fosse matriculado no Salete. Ali, encontrei a amizade e compreensão de uma pessoa que Lagarto não soube preservar. Quando se aproximava o mês de setembro, Dona Anselma me pediu para organizar uma pequena banda marcial. Juntamente com seu esposo, Fernando, começamos a vasculhar o sótão do colégio em busca de instrumentos deixados por Enio Motta, quando ainda proprietário daquele colégio. Conseguimos alguns instrumentos de fanfarra e uma corneta. Nesse período, comecei a ensinar a garotada os princípios da música. Dona Anselma, a cada dia, interessava-se mais pelo sucesso da banda e, no dia sete de setembro, debaixo de muita chuva, a banda marcial do Salete chamou a atenção do público. No ano seguinte a equipe já estava mais preparada e agora com a presença de Marcos Monteiro, Adonias Libório, Epitácio, Fernandinho Montalvão e tantos outros. Começamos, então, uma verdadeira revolução musical na cidade. Novos toques, fardamento bem desenhado, chapéus bem trabalhados, introduzimos garotas portando flâmulas entre os músicos e fazendo evoluções. A banda passou a ser esperada no desfile, desbancando a tradicional fanfarra do Laudelino Freire. Finalmente, fomos convidados a participar do primeiro concurso de fanfarras em Aracaju. Foram três representantes de Lagarto: o Salete, o Laudelino Freire e o Silvio Romero. Quando o Salete, perfilado na Praça Camerino, viu chegar a banda do Atheneu, toda garbosa, tremeu na base. O maestro da banda adversária, como quem quisesse amedrontar os interioranos, mandou executar um dobrado. Nisso, Paulo Chagas, que já era nosso maestro, não titubeou e gritou: "Vamos dar um esquento!". Quando a banda do Salete, além de bela e muito afinada, puxou o toque, só víamos os músicos das outras bandas concorrentes correrem para nos assistir. Descemos a Rua Pacatuba, na contramão, até o Palácio do Governo, na Praça Fausto Cardoso, onde estava armado o palanque com os jurados. Não deu para ninguém, chegamos evoluindo e já quase gritando vitória. Algumas horas depois que as bandas de todo o estado se apresentaram, foi anunciado o resultado. Salete em primeiro, Atheneu em segundo e Laudelino Freire em terceiro. Foi uma explosão de alegria e choro. Corri para avisar a seu Fernando, que não teve coragem de viajar para acompanhar a competição, e, quando chegamos à 'madrugada lagartense' fomos recebidos por ele, alunos e professores do Salete, numa grande festa. Foram os anos mais felizes de minha vida estudantil.
MEU PRIMEIRO VIOLÃO
28.09.2008
Certo dia, eu estava na casa de Marcos Monteiro, quando vi seu irmão Alceu colecionando alguns discos. Alice Cooper, Ozzi Osborne, Pink Floyd e por aí. Nesse tempo, eu ainda não conhecia tantos roqueiros, e, através dele e depois de Gilson Menezes (que me ensinou os primeiros acordes de violão), fiquei conhecendo o mundo do rock and roll. Alceu cantava e tocava muito bem. Era um cara despreocupado com a vida e, de vez em quando, eu o encontrava sentado no meio fio da calçada de sua casa dedilhando o pinho. Daí veio o meu interesse em aprender música. Eu tinha 13 anos e já ganhava alguns trocados pintando placas de estradas, quando estava com dinheiro suficiente para comprar o instrumento, falei com minha mãe para que autorizasse a compra. Ela, com um tom de desaprovação, disse: Fale com o seu pai! Esperei meu pai chegar de Tobias Barreto, onde trabalhava, e ele respondeu: se você tem o dinheiro pode comprar. Feliz da vida, liguei para meu irmão Adherbal, que morava em Salvador, e mandei o dinheiro para que ele comprasse. Depois de alguns dias, chegou meu primeiro violão. Não era dos melhores, mas era suficiente para começar. Da marca Reis dos Violões, era todo preto com tampo vermelho. No primeiro dia de aula cheguei em casa tocando “Chuá-chuá e Cada macaco no seu galho”. Meu pai vendo minha dificuldade em afinar o instrumento me pediu e começou a dedilhá-lo. Fiquei surpreso, pois não conhecia esse seu dom, e ele, foi lá no fundo do baú, e trouxe uma fotografia sua de quando era fuzileiro naval tocando o instrumento. Estava explicado.
EXPLOSÃO NA SORVETERIA
28.09.2008
Como era costume da turma, o jogo de bola no oitão da igreja corria solto até que explosões e rajadas de fogos de artifícios em grande volume foram ouvidas parecendo o ápice de uma importante festa. A sorveteria de seu Agnaldo ficava na esquina do segundo trecho da Rua Acrízio Garcez e, a partir do mês de abril, comercializava produtos pirotécnicos. E engraçado, o que me traz mais recordações de lá não são os fogos, mas o picolé de caldo-de-cana. Mas retomando, a fumaça preta logo se espalhou pelo quarteirão. Enquanto os adultos apareciam nas portas das casas, atordoados e buscando saber do que se tratava aquele barulho, a molecada corria ao local do incidente imaginando ser alguma disputa entre turmas. Quando chegamos o seu Agnaldo estava sendo retirado do local em estado de choque. Felizmente ninguém sofreu queimaduras, mas o coitado do comerciante teve que ser internado por alguns meses. Prejuízo mesmo sofreu a turma, afinal, nossos pais sempre se referiam a respeito do perigo dos fogos de artifícios. Eu mesmo já sentira na pele, mas a sensação de ver a limalha queimando é indescritível. Os anos se passaram e as tradições vêm sofrendo os reveses da modernidade e do bom senso.
O CINEMA DO PADRE
27.09.2008
Quando Pe. Mário chegou da Itália, imaginou encontrar onça e índios andando pelas ruas. Máquina fotográfica a tira-colo, não perdia oportunidade de flagrar alguma coisa pitoresca. Algum tempo depois, durante a semana santa, passou a fazer projeções dos seus achados no oitão da igreja. Milhares de pessoas traziam cadeiras e esperavam pela novidade. Olha eu ali, esse é fulano de tal, de repente um negrinho pelado subindo nu em um mamoeiro e todos caiam na risada. Fazendo seus comentários num megafone o jovem padre ia conquistando a comunidade. Enquanto a projeção se realizava, as luzes da praça ficavam apagadas formando um imenso cinema ao ar livre.
A FESTA DE SETEMBRO
03.07.2008
As novenas começavam no último dia de agosto, o que coincidia com o último dia de vaquejada. No primeiro fim de semana da festa, muitos turistas vinham de longe para ver os vaqueiros derrubarem o boi. Lagarto fervia de alegria. Terminada a vaquejada, começava a exposição agropecuária. Nas ruas, o som das bandas marciais ensaiando para o desfile do dia sete. As lojas repletas de clientes em busca de roupas novas para bem se apresentarem nos dias de festa. Todas as noites a Praça da Piedade ficava repleta de fieis, jovens namoradores e crianças correndo atrás da filarmônica. Os bailes da AAL e da AABB eram ansiosamente esperados pela sociedade local. E, finalmente, o ápice da festa: a procissão de Nossa Senhora da Piedade.
Durante muitos anos, minha mãe preparou o andor da imagem que desfilava pelas ruas da cidade. As famílias, no decorrer daquela semana, limpavam as casas e faziam a pintura das fachadas à espera dos parentes, que logo chegariam no fim de semana. Era uma oportunidade única para juntar a todos. Na Praça da Piedade, onde morávamos, quando chegava o sábado, a expectativa das famílias era grande e, vez por outra, apontava um carro vindo da Rua Lupicínio Barros, que anunciava a chegada de alguém oriundo de longe. E todos (parentes, amigos e curiosos) corriam para receber os visitantes. Essa era a Lagarto em que eu vivi.
BUTUTIM E O PARADA SEIS
Setembro de 2008
Lagarto já possuía o Los Guaranis, mas um novo grupo musical começava a surgir, era o Parada Seis. Composto por Zé Paulo (cantor), Rinaldo Prata, na guitarra solo, Bal e Geraldo na percussão, Val no contra-baixo, Raimundo na guitarra base e Bututim na bateria. Eles ensaiavam no quartinho nos fundos da casa de seu Nicolau, na rua Senhor do Bonfim. Meu irmão, Adherbal, era o técnico e empresário da banda. A aparelhagem era bastante precária, mas, para época, as exigências eram quase nenhuma. Foi na primeira apresentação, no salão da AAL, que ousei convidar a primeira garota para dançar. Um e outro pisão ali, outro aqui, até que a donzela foi me ensinando os primeiros passos de dançarino. Olha que nos anos setenta, eu e meu amigo Manoel, depois conhecido por Michael, usando os confortáveis sapatos cavalo-de-aço, muitas vezes mostramos nossas proezas como dançarinos de black music. Mas a história aqui é outra, Bututim se gabava de ser um grande baterista. Foi num baile realizado na AABB, no prédio onde hoje funciona o Rotary Club, que ele mostrou suas proezas. O salão repleto de dançarinos e a banda tocando os rocks da época, quando, de repente, a banda faz a mudança de uma música para outra e o desenvolto baterista toca a baqueta no prato com mais força que de costume, o prato é lançado ao ar e voa sobre as cabeças dos animados dançarinos, indo parar longe. Ninguém saiu ferido, mas até hoje Bututim garante que a história não é verdadeira. Realmente, não posso assegurar, pois não estava lá, mas que é verdade, isso muita gente afirma.
A PIPOCA DE SEU MENINO
Agosto de 2008
Seu Menino era um velho pipoqueiro que mantinha seu carrinho no canto da Praça Filomeno Hora, defronte a casa de Seu Dionísio e, por muitos e muitos anos, todos os fins de tarde, ali estava ele esperando a clientela. Sair do Colégio para encontrar os colegas era o costume diário e naturalmente regado ao saquinho de pipoca de Seu Menino. O cheiro se fazia sentir ao longe. Em determinados momentos, a quantidade de pessoas era grande e o velho pipoqueiro se danava e fechava a portinha do carro não atendendo a ninguém. Depois dos ânimos acalmados, voltava a torrar o milho. Às vezes, ficávamos esperando a pipoca sair quentinha, mas na hora de entregar o saquinho ao comprador, algum ricaço parava defronte ao carrinho e a pipoca ia parar nas mãos do felizardo. Então começava a reclamação. Seu Menino se mantinha calado, como se nada tivesse acontecido, e continuava a torrar sua pipoca. Outro dia encontrei o velho pipoqueiro e perguntei: Seu Menino, cadê a pipoca? E ele, todo feliz da vida, respondeu: menino, não agüento mais arrastar o carro não!
(O velho pipoqueiro partiu e agora anda pelo céu fazendo pipoca para os anjinhos)
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ORIGEM E ANIVERSÁRIO DA LIRA POPULAR
Julho de 2008
Emerson Carvalho*
No dia 29 de junho, a Associação Musical Filarmônica Lira Popular de Lagarto completou 87 anos de existência. Uma longa trajetória de alegria para crianças, adolescentes e turma da velha-guarda, saudosistas da nossa comunidade. A primeira Banda, denominada Eutérpio Lagartense, surgiu em 1885, sob o comando do promotor público e maestro Hipólito Emílio dos Santos, que trouxe entusiasmo à pequena comunidade lagartense até 1917. Mas foi no dia 29 de junho de 1921, data de São Pedro (dileto apóstolo de Jesus Cristo), que um abnegado chefe político e pecuarista da época, o Cel. Acrísio d’Avila Garcez, fundou a Lira Popular de Lagarto, que teve como primeiro maestro, o tabelião João Ferreira do Espírito Santo. De lá até os nossos dias, vários foram os regentes (16) e músicos que passaram como colaboradores da Lira. Alguns já faleceram; outros continuam vivos, inativos, porém, contribuindo e estimulando os músicos mais novos. Atualmente, o maestro é o Prof. Aldo Sérgio Lima Silva, que prepara uma nova turma para, em breves dias, estar garbosamente a desfilar nas principais ruas da cidade. Cumprimentos a todos os que fazem a diretoria e o corpo musical da Lira por esta efeméride tão importante na vida de uma comunidade e que Deus os ilumine com a Sua graça, pois é um dos raros patrimônios artísticos e culturais ainda existentes em nosso município.
DIRETORIA ATUAL DA LIRA POPULAR
De acordo com os estatutos, houve eleição em junho de 2008.
Chapa vencedora: Nelson José dos Santos (presidente), José Correa Sobrinho (vice), Antônio Valfredo Bezerra (secretário), José Messias de Santana – Zé de Manu (tesoureiro). No Conselho Fiscal: Anísio José de Almeida, José Wellington de Menezes (Leleu) e Maria Piedade Fontes Barbosa. Os Suplentes: Joaquim Prata Souza, Emerson da Silva Carvalho e Agnaldo Libório de Carvalho.
A LIRA POPULAR DE 1940 (acervo do autor)

Para reverenciar e contemplar a cultura municipal da nossa terra, o jornal A Voz de Lagarto, de 16 de fevereiro de 1965, registrou na 3ª página uma homenagem de forma singela, mas com profunda intenção de sinceridade, publicando esta foto que comprova as pessoas e nomes que construíram e fizeram enorme espaço na história da Lira Popular de Lagarto, no ano de 1940, e da música erudita e popular em terras do Lagarto. Vale lembrar as pessoas que figuram nesta foto. Na 1ª fila, de pé, da esquerda para direita: João Maleiro, Josino Almeida, Guaxinim, Leopoldo, Manoel, Antônio Xisto, Siqueira e Maestro Bedóia; na 2ª fila: Zé Pequeno, Hemetério, Valdemar, Zé Vieira Filho, Zeca de Totonho, Joca e Zé Antônio; na 3ª fila: Temístocles, Zezé de Condola, Agenor Viana, 3 músicos desconhecidos, Gervásio, Zé de Josino e José Rosa; na 4ª fila: Gervásio, João Xisto, Manu, Adalberto. Outros nomes, que não estão nesta foto, também contribuíram para a fundação e existência da nossa Lira Popular.
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*Professor, radialista, delegado da ASI no centro-sul de Sergipe. |
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