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SÍLVIO ROMERO E SUA HISTÓRIA
por Rusel Barroso
Sílvio Vasconcelos da Silveira Ramos Romero, crítico, ensaísta, folclorista, polemista, professor e historiador da literatura brasileira, filho do comerciante português André Ra mos Romero e de D. Maria Joaquina Vasconcelos da Silveira Ramos, nasceu em Lagarto/SE, em 21 de abril de 1851, e faleceu no Rio de Janeiro/RJ, em 18 de julho de 1914. Em 1897, Sílvio Romero, José Veríssimo e outros intelectuais fundaram a Academia Brasileira de Letras, que teve como primeiro presidente Machado de Assis.
Em sua cidade natal iniciou os estudos primários, cursando a escola mista do professor Badu. Em 1863, partiu para a corte, a fim de fazer os preparatórios no Ateneu Fluminense. Em 1868, regressou ao nordeste e matriculou-se na Faculdade de Direito do Recife. Formou, ao lado de Tobias Barreto e junto com outros moços de então, a Escola do Recife, local apropriado para uma renovação da mentalidade brasileira. Sílvio Romero foi, no início, positivista. Distinguiu-se, porém, dos que formavam o grupo do Rio, entre eles Miguel Lemos, que levava o Comtismo para o terreno religioso. Espírito mais crítico, Sílvio Romero se afastaria das idéias de Comte para se aproximar da filosofia evolucionista de Herbert Spencer, na busca de métodos objetivos de análise crítica e apreciação do texto literário.
Começou a sua atuação jornalística na imprensa pernambucana, publicando a monografia: A poesia contemporânea e a sua intuição naturalista. Desde então, manteve a colaboração, ora como ensaísta e crítico, ora como poeta, nas folhas recifenses, entre elas: A Crença, o Americano, o Correio Pernambucano, o Diário de Pernambuco, o Movimento, o Jornal do Recife, a República e o Liberal.
Assim que se formou, exerceu a promotoria. Atraído pela política, elegeu-se deputado à Assembléia provincial de Sergipe, em 1874. Regressou a Recife para tentar fazer-se professor de Filosofia no Colégio das Artes. Realizou-se o concurso no ano seguinte e ele foi classificado em primeiro lugar, mas a Congregação resolveu anular o concurso. A seguir, defendeu tese para conquistar o grau de doutor. Nesse concurso, Sílvio Romero se ergueu contra a Congregação da Faculdade de Direito do Recife, afirmando que “a metafísica estava morta” e discutindo, com grande vantagem, com professores como Tavares Belfort e Coelho Rodrigues.
Em fins de 1875, transferiu-se para o Rio de Janeiro. Foi para Parati, como juiz municipal, e ali se demorou dois anos e meio. Em 1878, publicou o livro de versos Cantos do fim do século. Depois de publicar Últimos harpejos, em 1883, abandonou as tentativas poéticas. Já fixado no Rio de Janeiro, começou a colaborar em O Repórter, de Lopes Trovão. Ali publicou a sua famosa série de perfis políticos. Em 1880, prestou concurso para a cadeira de Filosofia no Colégio Pedro II, conseguindo-a com a tese Interpretação filosófica dos fatos históricos. Jubilou-se como professor do Internato, em 2 de junho de 1910. Fez parte também do corpo docente da Faculdade Livre de Direito e da Faculdade de Ciências Jurídicas e Sociais do Rio de Janeiro.
No governo de Campos Sales, foi deputado provincial e depois federal pelo Estado de Sergipe. Nesse último mandato, foi escolhido relator da Comissão dos 21 do Código Civil e defendeu, então, muitas de suas idéias filosóficas.
Na imprensa do Rio de Janeiro, Sílvio Romero tornou-se literariamente poderoso. Admirador incondicional de Tobias Barreto, nunca deixou de colocá-lo acima de Castro Alves; além disso, manteve, durante algum tempo, uma certa má vontade para com a obra de Machado de Assis. Como polemista deve-se mencionar ainda a sua permanente luta com José Veríssimo, de quem o separavam fortes divergências de doutrina, método, temperamento, e com quem discutiu violentamente. Nesse âmbito, reuniu as suas polêmicas na obra Zeverissimações ineptas da crítica (1909).
Romero foi um pesquisador bibliográfico sério e minucioso. Preocupou-se, sobretudo com o levantamento sociológico em torno de autor e obra. Sua força estava nas idéias de âmbito geral e no profundo sentido de brasilidade que imprimia em tudo que escrevia. A sua contribuição à historiografia literária brasileira é uma das mais importantes de seu tempo.
Era membro do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, sócio correspondente da Academia das Ciências de Lisboa e de diversas outras associações literárias.
Sílvio Romero foi também um dos grandes responsáveis pela valorização das tradições populares, recolhidas nas obras sobre o folclore.
Obras de Sílvio Romero
Cantos do fim do século, poesia (1878);
A filosofia no Brasil, ensaio (1878);
A literatura brasileira e a crítica moderna (1880);
Interpretação filosófica dos fatos históricos, tese (1880);
Introdução à história da literatura brasileira (1882);
O naturalismo em literatura (1882);
Últimos harpejos, poesia (1883);
Estudos de literatura contemporânea (1885);
Contos populares do Brasil (1885);
Estudos sobre a poesia popular do Brasil (1888);
Etnografia brasileira (1888);
História da literatura brasileira, 2 vols. (1888; 2a ed. 1902; 3a ed. 1943,
organização e prefácio de Nélson Romero, 5 vols.);
A filosofia e o ensino secundário (1889);
A história do Brasil ensinada pela biografia de seus heróis, didática (1890);
Parlamentarismo e presidencialismo na República - Cartas ao conselheiro Rui Barbosa (1893);
Doutrina contra doutrina - o evolucionismo e o positivismo no Brasil (1894);
Ensaios de Filosofia do Direito (1895);
Machado de Assis (1897);
Novos estudos de literatura contemporânea (1898);
Ensaios de sociologia e literatura (1901);
Martins Pena (1901);
Parnaso sergipano, 2 vols.: 1500-1900 e 1899-1904 (1904);
Evolução do lirismo brasileiro (1905);
Evolução da literatura brasileira (1905);
Compêndio de história da literatura brasileira, em colaboração com João Ribeiro (1906);
Discurso recebendo Euclides da Cunha na ABL (1907);
O Brasil social (1908);
Zeverissimações ineptas da crítica (1909);
Da crítica e sua exata definição (1909);
Provocações e debates (1910);
Quadro sintético da evolução dos gêneros na literatura brasileira (1911);
Minhas contradições, com prefácio de Almáquio Dinis (1914);
Trechos escolhidos, seleção e prefácio de Nelson Romero (Nossos clássicos, 25; 1959);
Sílvio Romero: teoria, crítica e história literária, com introdução de Antônio Cândido (1978).
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Fontes: ABL; Publicações avulsas do município de Lagarto e da OACI Idiomas |
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