CULTURA E ARTE
Um pouco da Cia de Teatro Cobras & Lagartos
Dizemos, na linguagem popular, que quando alguém não tem "papas na língua", essa pessoa fala "cobras e lagartos". Seria essa também uma maneira simbólica de expressar aquilo que não é aceito por parte da sociedade, uma vez que é taxativo, mas que resulta numa verdadeira e significativa forma de expressão, como nos sugere a própria ideologia do teatro. O nome da companhia também nos remete à cidade de fundação, Lagarto, e às pessoas ligadas ao grupo, por expelir talento, dinamismo e responsabilidade, no bom sentido da palavra "cobras".
A Cia de Teatro Cobras & Lagartos foi fundada no dia 8 de janeiro de 2003, e conta, atualmente, com um núcleo de 12 membros, entre atores, técnicos e pessoal de apoio. É política do grupo sempre acionar parcerias, a fim de completar seus trabalhos e garantir a rotatividade do serviço artístico local.
Nessa linha, a companhia investe na qualidade de sua produção através de oficinas (internas e externas), cursos, debates, encontros e afins — a exemplo da participação nos projetos Interiorização do Teatro Sergipano (2007-2008), promovido pela Secretaria de Estado da Cultura - SE, e Troca-troca com a outra (2007), do grupo baiano A Outra Cia de Teatro. Neste último, na condição de representante estadual.
Sobre 'Uns Bossais'
“Uns Bossais”, grupo musical de Lagarto, é um trio de MPB com repertório regado, principalmente, pelos acordes da Bossa Nova (daí o nome bem sugestivo), passeando por pérolas de samba ‘rock’, regionais, pop dos anos 80, forrózinho “pé-de-serra”, jovem guarda e baladas que conquistam os mais românticos.
Formado por Kiko Monteiro, na voz, Cassinho, no Teclado e Fábio Renner na Bateria.
O grupo está na estrada há quase três anos e, em janeiro passado, lançou um DVD com produção independente, gravado no estúdio do pai de Cassinho. Nesse despretensioso trabalho, além do ‘making off’ e do extra apresentando as experiências pessoais de cada um, estão reunidas as mais pedidas do ‘set list’. O resultado tem deixado orgulhosos os lagartenses e agradado ao bom gosto de muitos.
Os dois músicos são componentes da consagrada Orquestra Los Guaranys e o cantor, que quando pequeno foi embalado ao som de Beatles e Rolling Stones, começou cedo a soltar “a voz nas estradas” durante shows das bandas nos saudosos “bailes” das noitadas lagartenses.
(Textos gentilmente enviados por Lísia Conceição Ferreira Fontes)
LAGARTO - BERÇO DE CULTURA, ARTE E INOVAÇÕES
No âmbito literário, Sílvio Romero, Laudelino Freire, Ranulpho Prata e Abelardo Romero são exemplos da expressão escrita dos lagartenses.
Na esfera do rádio, cinema, teatro, jornal e televisão, Lino Corrêa, Maria Dealves, Euler Ferreira, Rosalvo Nogueira, Márcio Lyncoln, Emília Corrêa, Joel Silveira, George Magalhães e a Cia de Teatro Cobras & Lagartos merecem destaque.
Na área musical, a orquestra Los Guaranis, as bandas Frevo Folia, Lacertae, Uns Bossais e Kalibre, o músico Kalil, a dupla Valter & Izildy e os grupos Violão de Ouro, Antenor Nunes e Trio Chamego do Forró animam os eventos.
No campo das tradições populares: as Novenas, os Parafusos, a Chegança, a Silibrina, as Quadrilhas Juninas, a Encomendação das Almas, a Zabumba, o Rei Momo [...] são marcas que trazem à memória Dona Maria Teles, Maninho de Zilá, Mestre Terreno, Paulo da Chegança, Zé Padeiro, Tonho de Sinhô, Seu Menino da Pipoca, entre outros lagartenses.
Nas artes plásticas: Altair Andrade, Evilázio Vieira, José Carlos Carvalho, José Fernandes, Lourival Santos e Leustênisson Mesquita delineiam magia e encantamento sobre telas.
Nas instituições culturais, a Diretoria Regional de Educação, o Grupo de Teatro Cobras & Lagartos, a Secretaria de Educação do Município e a OACI Idiomas promovem recitais, peças de teatro, entre outros eventos.
No mundo poético: Angélica Amorim, Assuero Cardoso, Anderson Ribeiro, Ivilmar Santos e Noeme Dias despertam novas gerações.
Na história, as marcas do pioneiro Adalberto Fonseca e, recentemente, a tenaz contribuição de Claudefranklin Monteiro Santos e Floriano Santos Fonseca, também estão presentes.
Na pesquisa, os trabalhos de Aglaé d’Ávila Fontes, Beatriz Góis Dantas, Luís Antônio Barreto e a colaboração de Rusel Marcos Barroso são exemplos para manutenção da memória de sua gente.
Lagarto, além de berço de homens notáveis, é um município progressista que ainda valoriza as manifestações culturais, motivo da riqueza do seu calendário turístico.
MANIFESTAÇÕES POPULARES
Muitas festividades fazem parte da cultura local. Algumas foram preservadas pelo povo; outras caíram no esquecimento e deixaram de ser realizadas pelos munícipes. Vejamos:
PARAFUSOS – Antigos escravos em fuga para os quilombos, ao passarem pelas vilas, roubavam anáguas de linho com babados. Após sua libertação, desfilavam pelas ruas da cidade com aquelas peças de vestuário, o que, posteriormente, originou o grupo folclórico. Os personagens se apresentam com o rosto coberto de tabatinga ou de qualquer tinta branca. Há um porta-estandarte fantasiado de índio, um grupo de sanfoneiros e diversos instrumentos de batucada. Consoante o historiador Adalberto Fonseca, quem criou a expressão "Parafusos" foi o Pe. Salomão Saraiva, que, da Igreja, ao ver os negros com saias, exclamou: “parecem parafusos dançando”. A expressão pegou e durante décadas o desfile do grupo faz parte do calendário folclórico da cidade.
CHEGANÇA – Dançarinos que retratam a luta entre reis católicos e turcos, pela reconquista do trono português.
CANGACEIROS – Retrospecto do bando de Lampião e suas façanhas pelo Nordeste. Com integrantes vestidos como cangaceiros, visitam lojas e casas pedindo comida e bebida, com ameaças de travessura se não atendidos. O grupo foi organizado por Zé Padeiro, que vale ressaltar, foi membro de uma volante combatente daqueles malfeitores.
TAIEIRAS – Mulheres com vestes orientais, que dançam em torno de um mastro enfeitado sob o efeito de música de zabumba, enquanto espadachins encenam lutas para proteger o casal real. Há evoluções com acenos de mãos e muito colorido.
ZABUMBA - Grupo de homens que saem tocando instrumentos rústicos de sopro e percussão para animar festas de batizados, casamentos e outras manifestações populares, em troca de gorjetas, comida e bebida.
QUADRILHA – Pessoas de todas as idades, que dançam músicas juninas sob o toque da sanfona e de outros instrumentos. Geralmente apresentada por escolas nos meses de junho e julho.
CABOCLINHOS – Grupo de jovens que se pintavam como os indígenas Kiriris, primitivos habitantes da região, e saíam pelas ruas a dançar.
ENCOMENDA(ÇÃO) DAS ALMAS – realizada às quartas e sextas-feiras da quaresma. O cortejo é formado em frente a um templo e há visitação a outras igrejas, capelas ou cemitérios. O encerramento se dá por volta da meia-noite, no ponto de partida. Em cada estação, o cântico às almas é acompanhado de música;
LAMBE-SUJO – grupos de rapazes lambuzados de melado, que saem no 2º domingo de agosto, relembrando as lutas dos escravos fugitivos para não serem alcançados pelos capitães-do-mato.
Também merecem destaque no folclore local
Cana-verde
Reisado
Folguedo de São Gonçalo
Festa do Fumo
Batalhão de taipa de casa
e os tradicionais forrós
Fontes:
Publicações avulsas do Governo do Município (Lagarto/SE)
Publicações da Organização Americana de Cultura Inglesa
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