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Colunista

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Porto do Mato: Quem te viu, quem te vê
por Sandra Cruzz*
"Só o amor transforma o mundo". Foi por acreditar neste lema que o missionário austríaco Humberto Leeb veio a Sergipe e conseguiu mudar o destino de centenas de pessoas que viviam na miséria no povoado Porto do Mato, no município de Estância, distante 68 quilômetros da capital.
"Quando cheguei, trazido por uma nativa, a falecida Joana Batista, fiquei chocado com o que vi. Eu já tinha presenciado situações de pobreza na Biafra (região paupérrima da África), mas em Porto do Mato era mais grave, pois o povoado era esquecido. A situação era de total abandono", disse o padre Humberto, que diante do que viu reafirmou sua missão sacerdotal: levar esperança onde há desespero.
No início não foi fácil. Muitos foram os desafios enfrentados pelo pároco. Não existiam serviços básicos de higiene e saúde, nem escola, nem infra-estrutura para sobrevivência como água tratada, energia, estrada e transporte. "Antes, 70% das crianças morriam de desnutrição antes de completarem três anos de vida. O povo viva em estado de letargia, sem esperança de uma vida mais digna", afirma Leeb.
Sem ter conhecimento de como funcionava a política de assistência de Sergipe e do Brasil, padre Humberto Leeb recorre aos conterrâneos e pede socorro numa mensagem com fotos, que dizia: ver isso e não fazer nada, significa negar a fé que professamos. "Diante da mensagem, meus amigos, meus familiares e até a ONU contribuíram de diversas formas no socorro da região. Até médicos austríacos vieram ao local para consultar e dar medicamentos ao povo da região", contou o missionário.
Mudanças
A construção do Centro Social Pastoral Esperança de Deus criou condições para a edificação de uma comunidade solidária e participativa. O local conta com uma igreja, em forma de barco,
centro de formação "Luz e Vida, formado por uma pré-escola, escola de Ensino
Fundamental e de Educação Profissional, ginásio de Esportes, restaurante, posto médico, padaria, sorveteria, macenaria, museu, biblioteca e a pousada do padre.
"A maioria da mão-de-obra utilizada é formada por nativos. Aqui eles têm treinamento e aprendem uma profissão", explicou o padre Humberto.
Segundo os moradores da região, o padre não só transformou fisicamente o lugar, mas a mentalidade das pessoas. "A gente não tinha sonhos, nem objetivos. Agora pensamos alto e temos a certeza de que podemos realizar. Eu mesma estou me formando em pedagogia e
pretendo fazer pós-graduação", falou Marielze Oliveira, professora da pré-escola.
Futuro
No final deste ano, o padre Humberto Leeb se desligará de Porto do Mato e volta a sua terra natal, deixando a responsabilidade da administração do Centro nas mãos da diocese de Estância. Todo trabalho o padre dedica à professora Geovana de Oliveira, diretora do Centro de Formação Luz e Vida. "Ela foi minha força durante todos esses anos. Sem Joana, e sem Geovana, não conseguiria fazer o que fiz. Tenho a certeza da missão cumprida, agora é hora de parar", colocou.
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Sandra Cruzz é jornalista, repórter do programa Tudo a Ver Sergipe da Rede Record de televisão; Assessora de Comunicação da Escola do Legislativo no Estado de Sergipe.
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Lagarto, berço de intelectuais
por Sandra Cruzz*
Não obstante minha admiração por outros municípios, Lagarto é terra da sabedoria graças a tantos filhos dotados de inteligência. Deus não poupou generosidade para que o lugar se transformasse em berço cultural do Estado de Sergipe.
Entrevistando dois intelectuais sergipanos, a escritora Aglaé Fontes e o historiador e também escritor Luís Antônio Barreto, descobrimos as coincidências dos seus estudos sobre folclore e também as afinidades da infância em terras lagartenses.
A cidade abriga a nascença de grandes nomes da intelectualidade brasileira, a exemplo de Sílvio Romero, Laudelino Freire, Aníbal Freire, Filomeno Hora, entre outros. Quem nasce em Lagarto exala um orgulho explicável pela tradição de cultura e inteligência peculiar aos seus filhos. Agora compreendo o que me falava um outro lagartense, o abnegado pesquisador Rusel Barroso. Certamente, quem não conhece a história do lugar se encanta com a descoberta. Lá, há muito para se contar. As pessoas são estudiosas, polidas e de muito bom gosto. É difícil ir a Lagarto e não querer voltar. Aqui em Aracaju, pessoas da comunicação, também lagartenses, a exemplo do colunista Marcio Lyncoln, da apresentadora Aline Almeida, da jornalista Loura Ribeiro (produtora da TV Alese), não perdem contato com as tradições do município e sempre que podem vão até lá revigorar suas forças.
Visitar a “Cidade Ternura”, como é conhecida a querida Lagarto, é descobrir um mundo grande dentro de uma cidade aparentemente pequena. Conectados ao que existe fora de Sergipe, os lagartenses conseguem manter e difundir sua cultura e história, e não se intimidam diante das dificuldades do interior. Pelo contrário, ultrapassam fronteiras em busca dos seus sonhos, sem deixar jamais de declarar a paixão que possuem pela terra natal.
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Sandra Cruzz é jornalista, apresentadora do programa "Prazer em Conhecer" da TV Alese.
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Programa sobre Sílvio Romero é sucesso na TV ALESE
Sandra Cruzz*
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Passear pelas ruas do município de Lagarto, distante 78 quilômetros da capital, é viajar pelas histórias de ilustres sergipanos. A Televisão da Assembléia Legislativa de Sergipe, TV Alese, sabendo deste rico berço cultural, produziu um documentário sobre a vida do intelectual Sílvio Romero. A equipe da televisão foi recebida pelo grande mestre, professor Rusel Barroso, que, andando pelas ruas da cidade, apresentou a vida de Sílvio Romero aos telespectadores aracajuanos.
“Silvio nasceu em 21 de abril de 1851, na antiga rua da Vila. Os primeiros anos, ele passou no Engenho Moreira, ao lado dos avós maternos e da ama Totonha. Essa transferência aconteceu por conta de um surto de febre amarela que assolava a região, na época”, contou o professor Barroso, acrescentando que a casa em que Sílvio viveu dos 5 aos 12 anos, continua da mesma forma. “Até as cores do seu tempo foram preservadas”, ressaltou.
Os principais monumentos históricos da cidade de Lagarto homenageiam Sílvio Romero. Há, também, uma linda igreja na sede do município, a Matriz de Nossa Senhora da Piedade da Pedra do Lagarto, onde Romero foi batizado pelo padre João Pacheco. O Grupo Escolar Sílvio Romero, construído em 1924, foi um dos primeiros patrimônios públicos a receber o seu nome. Há também uma praça no coração de Lagarto e uma escola da rede estadual, que atualmente acolhe cerca de três mil alunos do município e região.
“É muito emocionante estudar em uma escola que leva o nome de Sílvio Romero. Sei que ele foi muito importante para a literatura brasileira”, falou a estudante Carla Santos. Da mesma opinião compartilha o estudante Lucas Lima. “Estudei toda a história de Sílvio e sinto orgulho de ser conterrâneo dele”, disse.
De acordo com o pesquisador Rusel Barroso, o intelectual Sílvio Romero foi completo e o seu maior legado está na organização da literatura brasileira.
“Romero foi mentor do movimento denominado Escola do Recife ao lado de Tobias Barreto, Clóvis Bevilacqua, Araripe Junior, Graça Aranha, entre outros. Foi membro fundador da Academia Brasileira de Letras, um verdadeiro pensador da cultura brasileira. Ele escreveu dezenas de obras, entre elas História da Literatura Brasileira e Contos Populares do Brasil”, informou o professor.
Sílvio Romero em Aracaju
No bairro Santo Antônio, existe a Rua Sílvio Romero há mais de quarenta anos. Os moradores da rua sabem pouco a respeito do intelectual. “Só sei que ele é importante, mas não sei o que ele foi”, disse dona Maria do Carmo Souza, moradora da rua há 30 anos. O aposentado Paulo Dantas, também não conhece a história de Sílvio Romero. “As histórias dos homens importantes de Sergipe deveriam ser mais divulgadas. O povo sabe pouco dos seus intelectuais e por isso não valoriza”, falou.
Para ajudar a disseminar a importância de Sílvio Romero para o folclore do Brasil, a professora Aglaé Fontes resolveu escrever um livro infantil sobre a vida do intelectual: O Tangedor de Sonhos, livro que conta, através de uma linguagem fácil e de ilustrações, a vida de Sílvio Romero mesclada com os significados dos costumes da época. “A literatura é voltada para o professor que queira despertar as crianças para os valores regionais”, alertou a escritora.
O amor da pesquisadora Agláe pelo folclore brasileiro foi impulsionado pelo conterrâneo Sílvio Romero. Ela conta, através de uma linguagem lúdica, a beleza dos contos populares, das questões do povo, dos versos e das cantigas de rodas. “Quanto mais estudo a vida de Sílvio, me surpreendo com o potencial dele. Sílvio valorizou as coisas simples e lindas do povo quando ninguém pensava nisso. Para mim, ele foi um desbravador”, concluiu Fontes.
A vida de Sílvio Romero e de outros intelectuais sergipanos é divulgada no programa Prazer em Conhecer, transmitido pela TV Alese, canal 9 da Lig TV e 16 da Net Aracaju, todos os dias, às 16h30. Programação também disponível através do site www.al.se.gov.br
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Sandra Cruzz é jornalista, apresentadora do programa "Prazer em Conhecer" da TV Alese.
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